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SOUND ON PAPER (AFTER ALVIN LUCIER)



2011
8 papeis emoldurados de diferentes gramagens e características, 8 woofers montados de forma ocultada atrás dos papeis. Som de 16hz estéreo amplificado. Instruções de montagem.
Dimensões: 79 x 326 cm.
Colecção do Artista
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Esta peça é uma interpretação livre das instruções da peça sonora Sound On Paper da autoria de Alvin Lucier. A composição original é de 1985 assim como a sua primeira versão em formato de instalação. No ano seguinte foi apresentada pela primeira vez uma versão performativa. Foi também editada uma versão áudio em suporte de disco sonoro na editora Lovely Music, em 1988 com o título Sferics.
O título da peça pretende tornar inequÍvoco as suas intenções; estou a lidar apenas com as instruções da peça da autoria de Lucier, desenvolvendo uma proposta concreta de produção técnica e formal cuja motivações são:
1. tornar mais explícita a relação entre os materiais essenciais para a concretização da peça e os dispositivos de apresentação convencionais do desenho no espaço expositivo / museológico – desta forma a relação proposta por Lucier que se concentra no uso de materiais e processos técnicos espec ficos é transposta para uma relação mais espec fica com a identificação do papel com a prática artística do desenho. Não só o uso da moldura reforça esta ideia como o cuidado formal implícito na solução de montagem pré-definida contribui para esta mesma intenção;
2. ocultar a presença das colunas áudio / subwoofers por trás dos ‘desenhos emoldurados’, facto que implica embutir na parede a volumetria da coluna de som, contribuindo para dois aspectos de diferenciação em relação peça de Lucier: criar uma espécie de mistério ou perplexidade na fruição da peça, no momento em que se observa uma n tida vibração / movimento nas folhas, diminuindo a possibilidade da apreciação da peça se dirigir para mecanismos técnico que a fazem funcionar e permitir uma especulação ou curiosidade sobre o motivo desta vibração. Incrementar o potencial de amplificação acústica do som, proporcionado pela própria parede falsa onde é a coluna é embutida tornando-se a pr pria parede um mecanismo reverberação acústica e também ela sofrendo um efeito menos evidente, mas existente de vibração.




Mais uma vez, estando oculto o aparato técnico do som, a atenção do espectador é totalmente desviada para o pr prio papel vazio de informação visual / mas pleno de informação sonora, traduzido no aspecto cinético do seu movimento induzido pelas frequências extremamente graves do som reproduzido que incrementa o impacto e potencial perceptivo da peça. Para realizar a minha versão baseei-me na versão áudio, editada em disco e na pauta narrativa ou mem ria descritiva dos vários formatos em que foi apresentada a peça de Lucier. Não consegui encontrar qualquer registo fidedigno da performance, no entanto percebi e foi revelador de processos técnicos utilizados a análise de imagens, da sua versão em formato de instalação. Na sua versão performativa, seis folhas de papel brancas, de consistências diferentes, instaladas em cavaletes, vibram por simpatia com o som debitado por colunas / altifalantes que reproduzem o som produzido por um oscilador de ondas sonoras afinado a trinta e dois hertz. Variações nos parâmetros de timbre e volume permitem criar diferentes combinações e reacções de vibração nas folhas de papel em combinação com o som electr nico do oscilador. Na instalação o uso de cavaletes para sustentar os papeis e a expl cita presença das colunas do som, fazem com que a peça se concentre na pr pria revelação do processo em si e não de aspectos que subentendam a intenção de estabelecer uma relação com desenho e com formatos de apresentação pensados para os espaços expositivos convencionais da arte contemporânea.