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PRÁTICA ARTÍSTICA


Usando diversos media, Rui Valério procura estabelecer relações entre música e arte ou entre a imagem e o som, frequentemente, usando objectos com um significado prévio e contextual. O continuado interesse no som pode resultar numa presença audível ou sugerida e relaciona-se com a influência e seu interesse pessoal por música.
Mas é na permanência do uso das operações de apropriação, no ‘uso das formas’ e representação de ‘objectos’ com ‘valor cultural’ (alterados ou combinados), estrategicamente seleccionados, que, quase sempre, encontra o processo de construção da sua obra - por ligações entre um passado, principalmente no período contemporâneo da história da arte e um questionamento do momento presente e da sua conjuntura actual.
De forma idêntica interessa-lhe o cruzamento entre a cultura erudita e a popular. Recorrentemente, os períodos históricos do minimalismo e arte conceptual são recuperados tanto por identificação de uma filiação, como por razões mais específicas, amiúde, peças deste período são invocadas ou replicadas.
Estas operações de apropriação e combinação interdisciplinar, servem-lhe para criar novas peças, com um potencial de comunicação que é ‘intencional' mas abre ou convida o espectador, a um processo de interpretação e pensamento. Ocasionalmente, essa intencionalidade, é da ordem da pura afectação perceptiva ou da possibilidade de contemplação formal. Ciente das possibilidades de interpretação e apreciação, por parte do espectador, variar de acordo com o reconhecimento das referências históricas em questão, nas peças tem de permanecer uma eficácia, que surja, apenas, duma apreciação espontânea e desinformada.
 As relações com experiências autobiográficas, apesar de nem sempre serem explicitadas nas suas peças, são constantemente um elemento de desvio ou evolução de interesses na sua obra.
A este facto acrescente- se uma atitude de busca e experimentação constantes, assim como um uso diversificado de materiais e soluções formais.
Do conjunto destes factores resulta um corpo de trabalho que não procura um reconhecimento autoral através de uma fórmula identitária comum, pelo contrário, os aparentes desvios, consolidam-se enquanto percurso - uma linha temporal da obra, que se desenvolve com a regularidade pela sua produção, e encontra no todo a sua unidade, e, em cada parcela, um fragmento da sua identidade.