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HISTORIA DE LA MUSICA ROCK



2001
Projecção vídeo. DVPal transferido para DVD, cor, som, 58''.
Dimensões variáveis.
Colecção CAMJAP da Fundação Calouste Gulbenkian.


Neste vídeo parti dum processo semelhante àquele que mais caracterizou a obra dos artistas que ficaram conhecidos como apropriacionistas nos anos 80 - a refotografia. As fotografias são de outras fotografias e trabalhos gráficos impressos nas capas dos discos. Também o som é constituído por micro-samplers de cada um dos discos.
Neste caso fotografei capas de discos de vinil da forma mais fiel e documental possível. Não os submeti a operações de reenquadramento, transformação ou edição de qualquer género. Metodicamente reuni fotografias de 401 discos seleccionados, representativos da história da música rock desde o final dos anos 50 até à data da conclusão da peça.
A designação música rock surge num sentido lato dado que a selecção inclui discos de jazz, música experimental e todos os géneros que me interessavam. Nesse sentido a escolha dos objectos que fotografei era determinada por afinidades pessoais, acessibilidade aos objectos sendo baseadas na relevância musical das obras e no interesse formal das respectivas capas. Era importante que muitos dos discos tivessem um estatuto de reconhecimento bastante abrangente, na medida em que a possibilidade de reconhecimento do objecto era um aspecto importante na peça.
Os discos foram fotografados por ordem cronológica, dispostos uns a seguir aos outros, formando uma pilha que progressivamente se aproximava da lente da câmara, aumentando muito ligeiramente a escala do disco no enquadramento da fotografia. Após este metódico processo, sequenciei as fotografias em vídeo concedendo apenas três frames em cada 25 de visualização de cada disco (cerca de um oitavo de segundo). Este facto causava um efeito de amálgama e a visão de cada capa, quase subliminar, advinha do efeito de justaposição causado pela relação de rapidez com que as imagens passavam e o efeito de ‘persistência retiniana’ que caracteriza a nossa visão.
Simultaneamente, e de forma igualmente metódica, gravei samples de som de cada um dos discos, adicionando sincronicamente, os fragmentos de som às respectivas imagens das capas. O efeito de amálgama resultante era ainda maior, verificando-se que, ao contrário das imagens que eram possíveis de fixar e reconhecer de quando em quando, no som não havia qualquer tipo de possibilidade de reconhecimento parcelar.
O vídeo que se propunha como dispositivo documental ordenado cronologicamente, resultou numa avalanche vertiginosa de imagem e ruído que apenas nos permitia vislumbrar uma viagem vertiginosa através da história da música rock.
O facto de os discos serem de vinil reforçava a relação com os domínios da afectividade e afecção, e da audiofilia, melomania e coleccionismo e enfatizava a sua condição de objectos que simbolizavam e se relacionavam com um contexto cultural de música popular.