1.4. STUDIO EXPERIENCES

Entre 2012 e 2018 tive acesso por concurso a um atelier municipal no complexo de ateliers dos Coruchéus. Durante esse período desenvolvi experiências bastante diversas e singulares tanto em termos técnicos, formais e até conceptuais. Nem todo o trabalho que desnvolvi me interessou para poder ser exibido futuramente em exposições, em galerias ou museus mas acabou por ser uma experiência muito rica e diversificada que resultou num vasto corpo de trabalho do qual espero ainda integrar futuramente algumas peças criadas dentro deste espírito de experimentação, se forem devidamente contextualizadas e apresentadas.







1.3.1 Dois Processos de trabalhos diferenciados que convivem no meu trabalho


No meu trabalho é também um elemento constante, que pode ou não derivar de possibilidades contextuais que dois processos aparentemente diferenciadores, sejam distintos mas nem sempre explícitos nos resultados obtidos. Muitas das minhas peças não carecem duma experimentação de materiais e processos técnicos, de acordo com a natureza da ideia,o trabalho pode dispensar actividade de atelier e pode ser totalmente definido no computador. No meu processo de trabalho existe desde o início uma ideia e uma intenção. Por vezes a sua solução é tão óbvia que o processo de produção da peça não é mais que um fabrico mais artesanal ou mais industrial. Noutros casos as ideias precisam de ser ensaiadas e diferentes tipos de soluções técnicas tem ser experimentadas e comparadas e levam tempo para serem resolvidas ou eventualmente revelam-se pouco eficazes.
Mas também tenho a necessidade, por vezes, de me soltar de processos tão cerebrais e levar-me por intuições espontâneas no atelier. Muitas vezes essas experiências mais espontâneas não resultam mas noutras é onde se descobre um novo potencial processual e dessa experimentação podem resultar peças de extrema eficácia. Para mim, misturar estas duas metodologias não é um risco, ao invés, creio que é precisamente sobre isso que a prática artística é: um incessante processo de renovação e experimentação; criação de novas ideias e metodologias sem um medo desse processo contrariar o mito da identidade visual da obra.
Se um Mondrian é inconfundível, um Rauschenberg já não o é. E nesse caso se a aparência de muitas das minhas peças recorda os períodos minimalista e conceptual - em que a maioria dos artista trabalharam a vida inteira uma única via, em termos processuais, identifico-me muito mais com Rauschenberg e a sua ideia de que a arte e a vida são inseparáveis. As pessoas mudam passam por diferentes fases e interesses - um percurso linear entra em completa contradição com a ideia da evolução dum indivíduo - e o artista é, na minha perspectiva, um indivíduo. Mesmo que a sua projecção ganhe uma dimensão em que se torna um gestor ou realizador não haverá necessariamente razão para manter sempre uma linha contínua de trabalho.




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