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PROJECTO SABOTAGE

texto de apresentaĆ§Ć£o do projecto sabotage

Os trabalhos que esta?o a ser concebidos para esta exposic?a?o, pretendem explorar o potencial de ambivale?ncia, dos objectos que nos causam as sensac?o?es de familiaridade e estranheza em simulta?neo (neste caso os objectos sa?o obras de arte e o espectador e? especializado e informado sobre arte contempora?nea). Interessa-me interferir com elementos que regulam a apreciac?a?o este?tica desses objectos. Quero criar objectos que remetem para outros objectos e que se tornam novos objectos, subvertidos e destitui?dos da sua identidade e contexto originais. Uso va?rios tipos de estratagemas. Muitas destas pec?as partem da identificac?a?o de uma ligac?a?o significativa entre objectos diferentes. Essa ligac?a?o pode ser de ordem cultural ou perceptiva e, por co?pia, ocultac?a?o, alterac?a?o e combinac?a?o de imagens, texto e som, procuro e tento revelar duplos sentidos ou interferir no processo de interpretac?a?o e apreciac?a?o do objecto. Por vezes uso a ocultac?a?o de elementos como forma de revelac?a?o. Como forma de expandir as hipo?teses de interpretac?a?o. Em Sabotage, interessou-me extremar o uso da apropriac?a?o, como forma de poder trabalhar sobre estas ideias de ligac?a?o, alterac?a?o e reinterpretac?a?o de objectos. Os objectos referenciados/apropriados, sa?o o ponto de partida para a produc?a?o de novas pec?as. Estas podem oscilar entre re?plicas e co?pias alteradas, ate? pec?as feitas a partir da evocac?a?o mais nebulosa do objecto original. Os objectos podem ser sujeitos a alterac?o?es simples mas significativas. Estas operac?o?es de alterac?a?o podem ser de cara?cter mais formal ou mais conceptual. Em algumas pec?as, o grau de autonomia relativamente aos objectos apropriados, na?o permite o reconhecimento imediato dos originais, nestes casos o ti?tulo serve de co?digo de descodificac?a?o, fornecendo dados que possam influenciar o entendimento da pec?a. Estas obras sa?o duplos de outras obras. Estas obras na?o sa?o duplos de outras obras Os conceitos que se relacionam com este tema, como por exemplo original, co?pia, reproduc?a?o, refere?ncia, evocac?a?o, simulac?a?o, remistura, conceitos desenvolvidos no debate anali?tico e critico a? volta do tema ou na produc?a?o teo?rica que por vezes e? apresentada como preliminar a? pra?tica arti?stica e elemento que despoleta o uso da apropriac?a?o por artistas, por vezes, tambe?m estes, sa?o devolvidos enquanto material de produc?a?o pra?tica, outras vezes servem apenas de base para o estudo e entendimento da apropriac?a?o na arte. Na?o e?, no entanto, intenc?a?o deste projecto apresentar algum tipo de glossa?rio de pra?ticas apropriacionistas. Tambe?m na?o se esgota numa convocac?a?o revisionista da tema?tica da apropriac?a?o. Em vez disso, pode-se considerar que o processo criativo que conduz ao corpo de trabalho produzido para Sabotage, e? compara?vel ao processo de deejaying. Neste caso sa?o as obras de arte apropriadas, que sa?o levadas a uma mesa de mistura e alteradas com filtros. Sa?o usados como material para criar algo de novo. Mas o conjunto de trabalhos reunidos, tambe?m permite pensar esta exposic?a?o sob outros pontos de vista. Por exemplo, como uma instalac?a?o sonora formada pelo conjunto das suas pec?as, se relevarmos o uso da relac?a?o do som com o espac?o expositivo como aspecto central1.
Mais assertivo sera? pensar que e? a continuac?a?o coerente do desenvolvimento da minha obra, que para ale?m da questa?o da apropriac?a?o, e? identifica?vel por outras caracteri?sticas recorrentes, presentes tambe?m em Sabotage. Como por exemplo: a relac?a?o com a mu?sica; a relac?a?o sineste?sica entre o som e a imagem; as soluc?o?es formais minimalistas; as abordagens conceptuais usadas como elementos estruturantes na concepc?a?o das pec?as (muitas vezes apenas percebi?veis atrave?s do ti?tulo da pec?a) ou ainda a recorre?ncia dos jogos a? volta da duplicidade de sentidos.
Estas refere?ncias/apropriac?o?es sa?o integradas num universo que tenho vindo a desenvolver, que ganha especial sentido numa visa?o de conjunto. Que se posiciona entre as pra?ticas da arte e da mu?sica, entre o visual e o audi?vel, explorando diversas formas de produc?a?o de sentido por hiper-ligac?a?o entre objectos e sentidos (nos dois sentidos).

rui valerio. 2013